Medicina é vocação.....

A arte de diagnosticar encanta muitos, mas poucos são os escolhidos para essa área tão brilhante e entediante..............

Pesquisar este blog

domingo, 28 de agosto de 2011

Genes relacionados à Enxaqueca - Pesquisa publicada na Nature...



Cientistas descobrem genes relacionados a enxaqueca


Cientistas descobriram um trio de genes vinculado com as enxaquecas, inclusive um relacionado exclusivamente com as mulheres, segundo um estudo publicado na revista britânica Nature Genetics.

As enxaquecas são dores de cabeça intensas – às vezes com uma “aura”, na qual os pacientes têm a impressão de olhar através de vidro congelado -, e que afetam cerca de 20% da população.

Os cientistas descrevem a condição, que é três a quatro vezes mais comum entre as mulheres, como uma desordem cerebral em que os neurônios ou células cerebrais respondem de forma anormal a estímulos.

A causa exata é desconhecida, mas acredita-se que fatores hereditários tenham um papel significativo.

Para ter acesso ao componente genético, Markus Schuerks, do Hospital Brigham para Mulheres, em Boston, coordenou uma varredura internacional de genomas com 23.230 mulheres, das quais 5.122 sofriam de enxaqueca.

Os chamados estudos de associação genômica comparam diferenças entre indivíduos nos cerca de três bilhões de pares dos blocos de construção molecular encontrados no código genético humano.

O estudo é o maior do tipo feito até agora. Ele descobriu variações em três genes que apareceram mais frequentemente em pacientes com enxaqueca.

Dois deles, conhecidos como PRDM16 e TRPM8, eram específicos de enxaquecas, e contrários a outros tipos de dores de cabeça.

Além disso, o TRPM8 se vinculava a enxaquecas unicamente em mulheres. Estudos anteriores demonstraram que o mesmo tipo de gene contém o “marcador” genético de um sensor de dor, tanto em homens quanto em mulheres.

O terceiro gene suspeito, o LRP1, está vinculado com a percepção do mundo exterior e em trajetos químicos dentro do cérebro.

- O cérebro de uma pessoa com enxaqueca responde de forma diferente a alguns estímulos, suas células nervosas ‘conversam’ de forma diferente do que os demais, explicou Shuerks por e-mail.

- Muitos neurotransmissores participam desta conversa cruzada e alguns parecem ter um papel especial nas enxaquecas. O LRP1 interage com alguns destes caminhos de neurotransmissores e, portanto, podem modular as respostas nervosas que promovem ou suprimem as crises de enxaqueca.

Nenhuma das variedades genéticas apareceu vinculada especificamente a enxaquecas com ou sem auras.

As descobertas, publicadas na revista Nature Genetics, foram replicadas em dois estudos menores com populações, um na Holanda e outro na Alemanha, e em um grupo clínico acompanhado pelo International Headache Genetics Consortium.

- A herança de qualquer uma das variedades genéticas altera os riscos de enxaqueca em 10% a 15%, disse Schuerks.

A influência destes genes provavelmente não é grande o suficiente para ser imediatamente usado como uma ferramenta de diagnóstico. Mas o resultado “é um avanço na compreensão da biologia da enxaqueca”, afirmou.



Fonte: R7 e SJT

UFRN e suas pesquisas....

Pesquisadores da UFRN desenvolvem técnicas para ajudar vítimas de AVC

Diário de Natal



O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda maior causa de mortes no mundo, podendo provocar lesão celular e danos nas funções neurológicas dos pacientes. Em Natal, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) trabalha em um projeto que visa a desenvolver técnicas de tratamento e recuperação pós-AVC, através de novas terapias.

O Prodiavc foi iniciado no final de 2010 por professores do Instituto do Cérebro (IC) e Departamentos de Informática e Matemática Aplicada (DIMAP), de Fisioterapia e Psicologia, todos da UFRN.

Pacientes que sofreram AVC são atendidos gratuitamente no setor de Fisioterapia do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL). A pesquisa tem como objetivo aperfeiçoar as chances de recuperação neuromotora e cognitiva dos pacientes que sofreram AVC.

“É um serviço gratuito de qualidade para tratamento fisioterápico de AVC, que busca também contribuir para o avanço nas pesquisas. Nós intervimos para melhorar as perspectivas de recuperação de pacientes”, explica o professor Antônio Pereira, do Instituto do Cérebro (IC).

Dentre o mecanismos utilizados no projeto está um jogo de videogame que consegue ajudar na promoção da regeneração cerebral e estimula a recuperação motora. O jogo Alice no País das Mãos foi desenvolvido por alunos e professores do Departamento de Informática e Matemática Aplicada, e serve de base para a pesquisa para uma mestranda em Psicobiologia.

Os jogos foram desenvolvidos exclusivamente para esse projeto. Até agora, seis pacientes já foram atendidos no setor, que possui capacidade de atendimento de até 32 pacientes por semestre. As sessões acontecem três vezes por semana, com uma hora de fisioterapia e mais 30 minutos de atividades com jogos.

Além do trabalho com jogos, o Prodiavc desenvolve outros projetos de pesquisa que ajudam na recuperação dos pacientes, como o Terapia do Espelho, desenvolvido por uma pós-graduanda do IC, o de Divulgação e Educação sobre AVC, realizado por uma aluna de psicologia, e ainda outros trabalhos na área de Fisioterapia. Outro projeto é do Uso da Realidade Virtual na Neuroreabilitação pós-AVC realizado por um doutorando do IC.

Para receber atendimento nesse serviço, o paciente precisa ser encaminhado pelo médico que o acompanha após o AVC, mostrando a necessidade de acompanhamento da Fisioterapia do HUOL, onde funciona o Prodiavc.

Fonte: Site do SJT

Internato Médico de Cirurgia

A fase mais esperada da vida de um estudante de Medicina é o período que antecede a formatura conhecido como Internato Médico. Na minha facul, começamos pela cirurgia ou pela Ginecologia e Obstetrícia, pois a turma se divide ao meio, e aqueles 40 estudantes que passaram 4 anos e meio de sua vida juntos agora se dividem e tem quase nenhum contato entre eles.


A minha metade da turma começou pela cirurgia....... A maior carga horária, plantões toda semana, jornada corrida e a certeza ou incerteza de ter escolhido a profissão correta pois é onde se entra em contato com secreções orgânicas, ocorre as primeiras mortes, aprende-se coisas básicas de pronto-socorro e como ajuda está com o ATLS na ponta da língua, difícil é colocar em prática, mas isso aprende-se com o tempo.


Já foi um mês e meio de Internato, falta mais um mês. E com certeza algumas entrelinhas de livros como o Sabinston vc tem que saber, mas principalmente está com o conteúdo NA PONTA DA LÍNGUA para as visitas na enfermaria de: HÉRNIAS, APENDICITE, COLECISTITES E COLELITÍAS, TUMORES DIVERSOS DO TRATO GASTRINTESTINAL, TROMBOSE VENOSA PROFUNDA, PROFILAXIA DE TROMBOEMBOLISMO, RESPOSTA METABÓLICA AO TRAUMA, ACESSOS, DRENAGENS, SONDAGENS, PRÉ E PÓS-OPERATÓRIOS, ETC. Enfim, assuntos básicos da cirurgia têm que saber, classificações, tipos de cirurgias... Para não dizer na frente do staff, nossa não sei..... Professor o senhor me pegou nessa....


Ou seja, apesar de que quando vc roda na cirurgia, e está em casa, não existe outra vontade que não durmir, o estudo tem que fazer parte dessa trajetória...


A residência vem aí, próximo ano, e vc não pode chegar na prova e pensar, nossa não sei disso... Tá certo, que a disciplina de cirurgia foi há 2 anos, esqueceu as páginas do Sabinston que se decorou para a prova....... Mas está na hora de relembrar tudo e estudar bastante...


Fica a dica..... e vou tentar postar alguns resumos das matérias do internato....

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Congresso Brasileiro de Neurocirurgia da ABNC


Entre os dias 19 a 23 de Abril de 2011, na cidade maravilhosa de Natal - RN, aconteceu o congresso brasileiro da Academia Brasileira de Neurocirurgia com diversos palestrantes internacionais, participação dos meus queridos professores, e também apresentação de 3 posters de minha autoria.
Gostei bastante das discurssões sobre trauma, oncologia, neurocirurgia pediátria, endovascular e abordagem sobre Neuralgia do Trigêmio.
O dr. José Luciano, organizador do evento está de parabéns pela dedicação e pela equipe escolhida o que foi responsável pelo sucesso do evento.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

PISO SALARIAL DOS MÉDICOS EM 2011

REPASSE AOS MÉDICOS: PISO SALARIAL 2011
>
>
>
>
>
> VAMOS DAR INÍCIO AS LUTAS DE MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO!!!
>
> URGENTE!!!
> Repassando:
>
>
>
>
> FENAM divulga piso salarial dos médicos para 2011
>
> É de R$ 9.188,22 o piso salarial dos médicos em 2011, para uma jornada de 20 horas semanais de trabalho. O valor, que passou a vigorar em primeiro de janeiro, é resultado da atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor - (INPC), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioecon�?micos - (DIEESE), cujo índice acumulado em 2010 foi de 6,91%.
>
>
>
>
> Prezados Colegas Médicos do Brasil
> Tendo em vista o piso salarial da categoria, estabelecido legalmente pela entidade representativa máxima da categoria em território nacional, venho fazer um desabafo de um colega recem-egresso da residência médica e pedir-lhes uma breve reflexão:
> - Se ninguém recebe o valor do PISO SALARIAL, é porque alguém aceitou trabalhar por valor inferior ao mesmo
> - Um Delegado de Polícia (Civil do DF ou Federal) tem salário inicial de 15.000,00 mensais
> - Um Promotor de Justiça inicia a carreira ganhando 16.000,00 por mês
> - Um Juiz de Direito não trabalha por menos de 20.000,00 de subsídio
> Todos esses profissionais acima estudam obrigatoriamente 5 anos de faculdade de Direito, não são obrigados a fazer residência médica, e recebem gratuitamente carro, secretária, material de escritório, sala, água, luz e telefone para exercerem suas atividades. Muitos deles tem motorista e celular funcional gratuitos, além de inúmeros outros benefícios, como aposentadoria integral, tempo reduzido de contribuição, regalias quanto a plano de saúde institucional, moradia subsidiada, etc....
> Por que será que todas essas categorias tem tanto ? Em uma única palavra: UNIÃO !!!
> A Policia Civil do DF tem os maiores salários do País, entretanto faz greve ou ameaça de greve todos os anos, sempre na época da sua data-base. Curiosamente, seu salário (ou subsídio, como preferem alguns), é rejustado religiosamente todo ano. Não por acaso, a cada 4 anos, um delegado é eleito Deputado Federal, e o mesmo tem como compromisso inadiável defender o reajuste (ou ataulização) anual da remuneração de sua categoria.
> Recebi recentemente algumas propostas RIDÍCULAS de trabalho, as quais quero citar aos nobres colegas:
>
1) Proposta A: Clínica de especialidades médicas, com faturamento via PJ, sobre os quais a empresa me repassaria 40% e ficaria com 60% (supostamente para cobrir custos operacionais, de faturamento, impostos, publicidade, água, luz, telefone, secretárias, material de consumo, etc....)
>
2) Proposta B: Clínica Ortopédica com nome já consolidado na cidade: ofereceu-me a quantia líquida de R$ 18,00 (isso mesmo DEZOITO REAIS) por paciente, argumentando que o outro ortopedista que trabalha lá marca um paciente a cada 5 minutos, ou seja 12 pacientes por hora, pois já conhece os casos e a maioria vai só para retorno, atestados e relatórios. Sugeriram-me ganhar no volume, atendendo 60 pacientes num período de 5 horas, o que me renderia 1080,00 por turno. Informei-lhes de que não sou tão competente quanto o colega, e que para poder realizar uma boa anamnese, exame físico completo, registro adequado no prontuário, prescrição, solicitação de exames e explicações ao paciente gasto no mínimo 20 minutos por consulta, sendo o ideal um paciente a cada meia hora, o que me permitiria atender no máximo 10 pacientes por 5 horas (ganharia penas 180,00 por turno). Agradeci a oferta. Na minha opnião o que certamente me renderia tal situação seria: 60 pacientes insatisfeitos, que sairiam de lá procurando outro profissional que pudessem ouvi-lo e trata-los com o mínimo de decência. Para ganhar 18,00 a consulta ou 36,00 a hora ganho mais em ficar estudando para prestar um melhor atendimento aos que tiverem a oportunidade de serem atendidos por mim.

> 3) Proposta C: Clínica pertencente a um Plano de Saúde: Ofereceram-me R$ 20,00 por consulta, com horário livre a minha escolha, número de pacientes conforme minha capacidade de atendimento. Apesar de um pouco melhor que a anterior, acredito ainda ser absurda. Para lavar meu carro pago 20,00 por semana a um senhor que não estudou nem a 4ª série, para cortar meu cabelo pago 30,00 uma vez por mês a um amigo que apesar de muito competente, tem agenda lotada e demora 20 minutos em seu serviço. Um prato de comida em restaurante do shopping, ou um combo sanduíche + fritas + bebida + sobremesa custa mais que 20,00. Para ter passada uma trouxa de roupa de 5 dias ou para uma faxina semanal em minha casa, pago 50,00 ( ou duas consultas e meia). Sem querer menosprezar ninguem, mas nenhum deles tem uma vida, uma função ou um órgão sob sua responsabilidade. Não tem que responder perante um juiz caso se
> u serviço não fique a contento, muito menos deverão pagar indenizações financeiras por insatisfação do cliente.
>
4) Uma empresa de Medicina do Trabalho solicitou curriculum e pretensão salarial. Enviei o meu e disse que o valor a ser pago era no mínimo o do PISO SALARIAL da FENAM. Curiosamente ainda não me retornaram. E sinceramente, não espero que retornem.
>
> Se nossos colegas médicos se unissem, assim como fizeram os pediatras recentemente em Brasília, e NÃO ACEITASSEM trabalhar por valores vis, estariamos certamente dando muito menos plantões noturnos e nos finais de semana, trabalharíamos menos em locais com condições precárias, seriamos muito menos desrespeitados por profissionais de outras categorias. Enfim, cabe somente a nós, MÉDICOS, termos a UNIÃO necessária para podermos
>
> Minha prosposta aos MÉDICOS DO BRASIL é de recusarmos QUALQUER OFERTA DE TRABALHO que não pague o PISO SALARIAL DA FENAM ou a tabela da CBHPM.
>
> Isso equivale a R$ 9.188,22 por 20 horas semanais; ou R$18.376,44 para 40 horas semanais
> Dividindo, tal valor corresponde a R$ 107,35/hora ou seja : R$ 644,10 por turno de 6 horas; ou R$ 1288,20 por plantão de 12 horas
> Considerando uma média de 2 consultas bem feitas por hora, daria R$53,68 por consulta, um valor mínimo condizente com a tabela CBHPM.
>
>
> A princípio parece utópico, mas se esse email circular para todos os médicos do país e ninguem trabalhar por valor inferior, os empresários terão que aumentar os valores oferecidos, ou então terão que permitir que os próprios médicos faturem suas consultas diretamente, excluindo os intermediários ( que são quem realmente lucram com nosso trabalho).
>
> Cabe ainda aos CRM�?s e Sindicatos dos Médicos do Brasil fiscalizar a remuneração oferecida, não permitindo que tais valores incrivelmente reduzidos obriguem nossos colegas a ter que literalmente " tocar fichas" o que reduz o tempo de consulta, prejudica o exercício ético da medicina e aumenta a chance de erros por parte dos profissionais.
>
>
>
>

Carta da SOGIMIG aos médicos

Carta de Belo Horizonte aos Ginecologistas e Obstetras do Brasil

Considerando o atual panorama da Medicina brasileira, no qual encontramos grande quantidade de problemas e conflitos tanto no sistema privado quanto público - sem que as autoridades sanitárias ofereçam soluções - e considerando, ainda:
- que a saúde suplementar atende, atualmente, 25% da população brasileira e a Agência Nacional de Saúde (ANS) não regula relação entre os prestadores de serviços (nós, médicos) e as operadoras;

- que o número de escolas médicas no Brasil cresceu de forma desordenada e exibe um universo de recém-formados sem a devida qualificação e capacidade técnica para prestar os devidos cuidados de saúde à população;

- que a Residência Médica, nos moldes atuais, também apresenta uma série de deficiências e não tem conseguido formar adequadamente os especialistas, além de oferecer proporcionalmente reduzido número de vagas para os 17.000 médicos que se formam atualmente no Brasil;

- que as entidades médicas no plano nacional tem se esforçado para defender os interesses dos médicos em todos os aspectos, sejam eles financeiros, técnicos, administrativos ou éticos, mas tem encontrado inúmeras dificuldades diante da melhor organização das operadoras de saúde e da inoperância do legislativo e do próprio governo;

- que o cenário atual da nossa especialidade, além de vivenciar todos os problemas nacionais, possui ainda questões específicas, tais como: alta incidência de processos éticos e jurídicos; baixa remuneração nos planos de saúde; não valorização da especialidade; falta de plantonistas nas maternidades; conflitos com outros profissionais de saúde na assistência obstétrica;

- que, na cadeia de valores do setor saúde os médicos encontram-se em situação desfavorável na correlação de forças para a precificação de seus honorários que, em decorrência disso, estão completamente aviltados, pois as operadoras (e o SUS) terminam por definir unilateralmente o preço dos nossos procedimentos;

- que as entidades que regulamentam a Saúde Suplementar (ANS, CADE, ANVISA, SDE e outras) não têm manifestado interesse algum em nos ajudar ou mesmo de mediar as relações entre nós, prestadores de serviços de saúde e as operadoras, transmitindo-nos a sensação de que estão dominadas por ressentimento contra médicos;

- que a ANS, atualmente, tem diversos representantes de planos de saúde na sua diretoria e nenhum representante das entidades médicas;

- que em vários cenários, como no movimento pela implantação da CBHPM, ou movimentos isolados de médicos de diferentes especialidades – tentando negociar em grupo com os planos de saúde – fomos denunciados por diversas entidades ao CADE como membros de cartel, e ficamos impedidos de negociar, enquanto as operadoras se organizaram em grupos, sem nenhum impedimento;

- que, hoje, temos plena consciência de que ninguém, ou nenhuma entidade, fará alguma coisa por nós, a não ser nós mesmos, os médicos, e por mais justas que sejam nossas reivindicações, temos que sair do papel de vítima e nos tornar protagonistas da nossa
própria história;
a SOGIMIG decidiu realizar o II Fórum de Defesa Profissional e de Honorários Médicos, que ocorreu no dia 06 de novembro de 2010. O evento foi sucesso de público e muito rico do ponto de vista dos debates dos diversos temas selecionados para discussão. Houve representativa presença de profissionais de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais, assim como representantes de federadas de vários estados do Brasil, entre elas: Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.
Foram aprovadas várias recomendações nesse II Fórum de Defesa Profissional e de Honorários Médicos. Os participantes solicitaram que fosse realizada divulgação em âmbito nacional, para que possamos avançar na busca de melhores honorários e condições de trabalho e de valorização da nossa especialidade, com o objetivo principal de resgatarmos nossa dignidade como profissionais que prestam cuidados de saúde às mulheres brasileiras.

Foram aprovadas as seguintes recomendações:

1- Divulgar o fórum de defesa profissional em todas as federadas e estimular a Febrasgo a realizar um grande fórum de defesa profissional e de honorários médicos.

2- Cobrar das entidades médicas ações mais eficientes para implementação da CBHPM por todas as operadoras de saúde.

3- Tendo em vista que as operadoras se profissionalizaram nas negociações com os prestadores de serviços, devemos, também, nos profissionalizar, criando setores/ departamentos/ grupos de trabalho nas entidades médicas, com profissionais de diferente formação (advogados, estrategistas, administradores, atuários negociadores, lobistas e outros) para discutirmos com as operadoras a correção dos valores dos procedimentos médicos.

4- O "Termo de Consentimento Livre e Esclarecido" não impede que exista "processo" contra médicos, mas devemos aplicá-lo, sobretudo, nas intervenções cirúrgicas, de modo individual e não geral, como os que existem nos hospitais. Se a paciente e sua(s) testemunha(s) assinarem o Termo de Consentimento, não poderão alegar que desconheciam os riscos. Assim, em caso de processo judicial, a defesa do médico se torna mais embasada. Deve ser destacado que o Termo de Consentimento não pode se sobrepor à expertise profissional, jamais negligenciando a boa relação médico paciente. O Termo de Consentimento, quando utilizado, deve estar pautado nos pilares da atenção, conhecimento, cuidado, lealdade e paciência para com as necessidades da paciente.

5- Faz-se necessária, com urgência, a organização do atendimento obstétrico na saúde suplementar, com normas claras para a organização de plantões nas maternidades privadas, incentivando equipes e serviços que melhore os resultados obstétricos e
neonatais.

6- Tendo em vista que a aposentadoria especial já não mais existe para todos os médicos, foi sugerido que façamos nossas contribuições sempre no teto máximo e pelo máximo tempo possível, para que possamos ter melhor remuneração no futuro.

7- Para aposentarem recebendo o teto máximo do INSS, que hoje é de R$3.467,40, as mulheres necessitam contribuir por 30 anos, ou mais, e ter pelo menos 60 anos de idade; e os homens devem contribuir por 35 anos, ou mais, e ter pelo menos 65 anos de idade. Além disso, é necessário que tenham recolhido pelo menos durante 156 meses (13 anos) para o INSS com o teto máximo mensal (veja com seu contador qual o valor correto). A aposentadoria especial (aos 20 anos de contribuição para as mulheres e aos 25 para os homens) somente existe para médicos que trabalham em ambientes de risco durante todo o tempo de contribuição.

8- Foram enumeradas várias ações que devemos implementar junto às operadoras e planos de saúde com o intuito de melhorar nossos honorários, tais como:
a) Manter vigilância contínua;

b) promover fóruns constantes para discussões sobre Saúde Pública e Suplementar;

c) procurar decidir conjuntamente, médicos, hospitais, cooperativas e entidades médicas;

d) defender a negociação conjunta, não permitindo desvincular reajuste de consulta e procedimentos;

e) lutar pela implantação e precificação da CBHPM em toda a saúde suplementar e também no SUS;

f) acompanhar constantemente a política da ANS;

g) sensibilizar a população em favor do médico;

h) trabalhar na tentativa de diminuição de custos;

i) não assinar novos contratos com operadoras de saúde que se recusem a atender nossas reivindicações.

9- Criar o “lobby do bem”, o que significa estabelecer relações políticas nos planos municipal, estadual e federal, no sentido de fortalecer contatos com políticos favoráveis às nossas reivindicações. Ao mesmo tempo, foi também aprovado que as relações que já tenham porventura sido estabelecidas entre médicos e personalidades públicas em cargos estratégicos e de poder no país sejam mapeadas e também utilizadas para essa finalidade.

10- Criar grupo técnico para produção, organização e divulgação de indicadores/índices nacionais de desempenho do setor saúde, ligado a honorários médicos, em âmbito regional e nacional.

11- Para o médico ter salário mensal de R$7.503,00, defendido pela Federação Nacional dos Médicos (FENAM) como o mínimo para a categoria, por 20 horas de trabalho por semana, a consulta em ambulatório, no qual o médico não tem custo algum, atendendo consulta de 40 em 40 minutos, incluindo os retornos, não remunerados, deverá ser de R$67,50. No consultório do médico, este valor depende de suas despesas (secretária, telefone, energia elétrica, material de consumo, impostos, taxas, etc.) e do imobilizado (imóvel, moveis, equipamentos, etc.). Para um consultório de nível médio, na região hospitalar de Belo Horizonte, deveria ser de pelo menos R$95,00. Quanto você está recebendo? Sabe qual é o resultado de seu trabalho? Veja os cálculos no Portal da SOGIMIG (www.sogimig.org.br).

12- A respeito da disponibilidade e exclusividade do atendimento obstétrico na assistência ao parto, concluiu-se que é uma relação autônoma entre o médico e a cliente que o escolheu, o que permite a livre contratação do seu trabalho sem a interferência dos planos de saúde. Ficou claro nas discussões que o obstetra tem relação de trabalho que difere das outras especialidades e os planos de saúde devem deixar muito claro para as pacientes que eles GARANTEM O PARTO COM O MÉDICO DE PLANTÃO e que nenhum médico conveniado tem obrigação de prestar atendimento fora do seu horário de trabalho no consultório.

13- Definir orçamento nas Federadas e Febrasgo para a Defesa Profissional.

14- Cobrar regulamentação da profissão do médico em âmbito nacional, para a aprovação da Lei do Ato Médico.

Belo Horizonte, 6 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

Como estudar uma doença

COMO ESTUDAR UMA DOENÇA

Somos o que repetitivamente fazemos, portanto, a excelência não é um feito, mas um hábito - Aristóteles

Ao exame dos livros sobre patologia humana, é possível encontrar formas variadas de exposição em vários aspectos de nosologia. Desse modo, é ideal que o estudante conheça os elementos completos da doença que deseja estudar. Para tanto, é oportuno que ele saiba contemplar com método o que se expõe no texto, para que possa, por meio de outras fontes, complementá-lo com as noções omissas. Em geral, pode-se esquematizar o estudo de uma doença distribuindo-a nos seguintes tópicos.

Título. Enunciar os nomes da doença. O primeiro a ser considerado será o nome enunciado de acordo com sua fisiopatologia e de mais uso no âmbito médico, pelo seu valor lógico. Os epônimos devem ser considerados em merecida valorização daqueles que primaram em seus estudos para esclarecer aspectos patológicos importantes, pelos seus benefícios à humanidade com descobertas e invenções, no caso, correlatas a doenças. Exemplo: Hipertireoidismo; doença de Graves-Basedow.

Conceito. Basicamente declina sua fisiopatologia. Ex.: Meningite é uma inflamação no tecido meníngeo. É comum descrever situações complexas em que há várias doenças, cujo agrupamento forma um quadro básico que se estuda. As anomalias anorretais, como exemplo, apresentam várias formas sob o mesmo título. Para melhor compreensão, convém estudar cada caso de per si. Assim sendo, em lugar de estudar infecção urinária, pode ser mais fácil, se dedicar ao estudo pormenorizado de cada caso possível, ou seja, de acordo com o agente causal e com o órgão afetado. Destarte, estuda-se infecção vesical por Proteus mirabilis, por exemplo.

Terminologia. Definem-se e se expõem os diversos nomes com os quais a doença é designada. Embora quase todas as referências não deem explicações sobre a origem, as questões sobre as denominações da doença, suas impropriedades ou adequações nominativas e outras questões a respeito, é de alto valor que o estudante busque estudos a respeito desse importante item das doenças. Muitos são os nomes inadequados e amplamente usados por desconhecimento de terminologia médica e linguagem médica, um laivo, de fato, que enfeia a medicina. Há doenças com muitos nomes, embora seja ideal que se use um apenas - o mais expressivo, para evitar confundimentos.

Para aclarar os significados dos termos é de considerável importância estudar, mesmo que sucintamente, o próprio vocábulo, sua composição lexical, sua etimologia, seu sentido próprio e outros detalhes, cuja ausência tem levado a usos lamentáveis por desconhecimento desses detalhes. É, portanto, de alta conveniência que esse tópico conste de todos os capítulos sobre doenças

História. Citam-se fatos que ocorreram no passado. Todas as doenças têm história, em que são relatados os primeiros casos descritos suas datas e seus pesquisadores dos quais se originam os epônimos. O nome “histórico” é muito usado, o que lhe dá plena legitimidade de uso, mas pode ser questionável, pois se trata de um adjetivo em seu sentido próprio, ou seja, é preciso tecnicamente relacioná-lo com o substantivo a que se refere, e esse evento enfraquece seu sentido de significação. É de grande importância conhecer a história de uma doença para que condutas errôneas feitas no passado, não se repitam no presente. Ocorrem também, às vezes, novidades chamadas “de cabelos brancos”, isto é, velhos procedimentos que ressurgem como novidades. Aconselha-se ao estudante, adquirir e ler obras históricas sobre as doenças e livros antigos geralmente disponíveis nas livrarias de livros usados ou livraria de sebo.

Epidemiologia. Como o próprio termo indica é o estudo dos fatos epidêmicos da doença, sua distribuição regional, suas taxas de frequência, de prevalência nas comunidades, com enfoque específico e geral. Sexo, etnia, idade, fatores de risco, clima e outros elementos serão especificados.

Anatomofisiopatologia. Aqui se estudam as transformações sofridas pelos órgãos atingidos pela doença no contexto de sua morfologia anatômica e em seu funcionamento ou sua fisiologia. Aqui, cabe acrescentar as associações mais comuns com outras doenças. Nesse tópico, são mencionadas as várias formas de uma mesma doença, ou seja, desde as mais brandas às mais graves. Essas fases levam a classificações que indicam gradações, como refluxos vesicureterais de grau I a grau IV, lugar da doença em um mesmo órgão ou sistema, como dilatações de vias biliares ou atresia de vias biliares.

Etiologia. Secção em que se estudam os agentes causais da doença seja exógenos (micro-organismos, agentes químicos ou físicos), seja endógenos (distúrbios genéticos, idiossincrasias). O termo etiologia significa estudo (do grego logos, estudo, discurso) da causa (do grego aitía,as, causa, motivo). Assim é questionável usar preferencialmente ou mesmo habitualmente etiologia como sinônimo de causa ou agente causal. Como todas as doenças conhecidas têm estudos sobre os agentes causais, mesmo quando só constem hipóteses, o termo etiologia desconhecida é também questionável quando usado em lugar de causa desconhecida ou agente causal desconhecido.

Profilaxia. Parte do estudo que se ocupa das medidas adequadas para não contrair a doença, como cuidados de higienização, atividades físicas, alimentação adequada, vacinações, prevenções contra acidentes, bem as empregadas para prevenir complicações das doenças, inclusas as relacionadas ao próprio tratamento. Do latim pro, a favor, e phylaktós, do verbo phylásso, guardar, proteger.

Diagnóstico. Parte em que se estudam as manifestações da doença. Os sintomas são colhidos e analisados por meio da anamnese. Os sinais, por meio do exame físico. Ambos compõem o quadro clínico. Os exames complementares constituem toda a parte que indica ou auxilia os examinadores a formar diagnósticos por meio de instrumentos e aparelhos de diversas naturezas, no meio laboratorial, no âmbito de estudos de imagens, bem como recursos cirúrgicos, histopatológicos, e mesmo necropsia. Assim, basicamente, os diagnósticos são realizados pelo quadro clínico (anamnese e exame físico) e exames complementares (laboratoriais, imaginológicos, cirúrgicos, histopatológicos e necrópticos).

É oportuno acrescentar que diagnóstico não é o mesmo que doença, visto como esta é a realidade independente do reconhecimento do observador e aquele retrata uma conclusão subjetiva e que pode não corresponder à realidade. Aqui também importa acrescer que a denominação diagnose é mais adequada, em lugar do adjetivo prognóstico. Contudo, a lei do uso contempla favoravelmente o último termo, mas sua exclusividade de uso é contrária aos cânones gramaticais de rigor.

No estudo do diagnóstico, surge um conjunto de possibilidades concorrentes e é necessário constar considerações sobre os diagnósticos diferenciais. Em grande parte, importa apenas analisar duas ou três possibilidades mais comumente observadas, com suas possíveis indicações para os discernimentos.

Tratamento. Conjunto de meios empregados para curar, controlar, paliar ou aliviar sintomas da doença. Aqui também devem ser aplicadas as medidas necessárias para evitar complicações da doença e as decorrentes do próprio tratamento. Os tratamentos são geralmente tidos como clínicos ou cirúrgicos. Costuma-se juntar ao sistema de tratamento cirúrgico muitos dos cuidados pré, trans e pós-operatórios, como reposição hidreletrolítica, administrações medicamentosas, métodos de assepsia e antissepsia, embora o tratamento, por si, indique os métodos de intervenção instrumental por meio de técnicas cirúrgicas aplicadas no paciente.

Prognóstico. Consiste em premissas sobre a evolução da doença, bem como dos resultados do tratamento. Prognose é termo de melhor formação, também usável em lugar de prognóstico.

Bibliografia. Conjunto de obras listadas, com numeração ou não, em referência ao estudo da doença. Em geral, indicam-se especificamente as que se referem às citações no texto, assinaladas por numerações correspondentes. No entanto, pode-se acrescentar em lista à parte um rol de obras recomendáveis para leituras ou consultas.

Comentários. Por vezes, aos estudos de uma doença, acrescentam-se notas de rodapé, complementações explicativas, acréscimos de informações, ou outro espaço destinado a observações subsidiárias relacionadas a qualquer aspecto da doença em estudo. Recomenda-se que se acrescentem aqui descrições de casos da doença testemunhados ou cuidados pelo próprio estudioso, mormente se for profissional de assistência ao doente. Com o progredir do tempo e com vários acréscimos cuidadosamente descritos tais anotações poderão configurar valioso acervo para o interessado.



Simônides Bacelar

Estudo em grupo - Simônides Bacelar

ESTUDOS EM GRUPO

O estudo em grupo pode ser útil quando bem planejado e, em nenhum caso deve ser improvisado (Michael Coéffé, especialista francês em métodos de estudo).

Saber estudar sozinho é condição indispensável a todos os estudantes, pois é uma situação em que se estabelece o próprio ritmo de estudo, identificam-se as próprias dúvidas, e o hábito de fazê-lo com independência de grupos, já que essa habilidade tem muito valor em situações de competitividade. Em outros termos, pode ser questionado o estudo em grupo quando seus membros vão se submeter a um mesmo concurso público, por exemplo.

Algumas desvantagens do estudo em grupo consistem em possibilidades de adquirir informações equívocas, descumprimentos das normas do grupo, alguns membros podem se beneficiar dos esforços dos outros sem oferecer correspondência equitativa (Neiva).

Contudo, equipes ou grupos de estudo são muito úteis e amplamente usados. As vantagens mais importantes são o compartilhamento de informações com menor tempo e esforço se fossem obtidas individualmente, estabelece compromisso de estudo diante dos outros membros do grupo, facilita a elaboração de textos dissertativos (Neiva). Muitas vezes podem substituir cursos particulares. O número de membros determina sua natureza; podem ser constituídos de dois ou três membros a dezenas e mesmo centenas. Formam-se pequenos grupos de colegas para se dedicarem a matérias escolares ou disciplinas universitárias ou realizar trabalhos científicos, preparar eventos científicos em forma de comissões organizadoras. Podem ser maiores para formação de conselhos, de assembléias para diversos tipos de estudos e muitas outras modalidades. De modo geral, por exemplo, uma aula pode ser transformada em um estudo grupal. Reuniões científicas de unidades hospitalares são formas produtivas de estudos coletivos, frequentemente efetuadas como período laboral. Estudos grupais entre amigos e colegas trazem algumas vantagens de nota. A linguagem informal entre os componentes do grupo pode ser mais facilmente en­­tendida do que a formal usada pelo professor e, ainda, o cansaço pode ser sobrelevado pelo estímulo de ver os colegas em atividade (EPTV.COM). Por isso, o encontro pode ajudar na compreensão da disciplina. Alguns passos amplamente usados podem ser instituídos para tornar eficientes esses tipos de estudo:

Estabelecer metas. Em geral, estudar um tema ou fazer exercícios em certo período de tempo preestabelecido pode ser mais eficiente. O estudo de vários temas em tempo prolongado pode ser causa de confundimentos e fadiga. São fatores que pode provocar reações desfavoráveis dos membros do grupo.

Planilha. Pode ser muito proveitoso fazer previamente uma lista de assuntos a estudar de modo sequencial, e esta poderá ser distribuída entre os membros do grupo. Acrescentar à planilha uma frase de utilidade prática em alusão ao tema a estudar também pode ser muito sugestiva para os membros de estudo.

Atas. A escrituração dos temas abordados de conclusões, de planos e outros detalhes pode ser útil, sobretudo, para que haja algum tipo de continuidade dos estudos e das ações programadas. Em muitos casos, as atas são transformadas em documentos.

Estudo prévio. Pode ser atitude vantajosa ir estudar em grupo com noções sobre o assunto a abordar. Importam aqui estudos conhecidos e experimentados por um ou todos os membros que possam ser explanados ao grupo e favorecer a todos que dele participam. É uma atitude justa de intercâmbio de conhecimentos, pois um ou mais membros manterem-se apenas como receptores de conhecimentos pode ocasionar desestímulos nos membros mais contributivos.

Anotações prévias. São úteis para discussões no grupo e complementações de estudo.

Local de estudos. É o básico ideal uma sala apropriada e uma mesa ampla em que todos do grupo possam estar de frente um do outro e conversar e emitir idéias descontraidamente. Nem sempre uma biblioteca é o bom lugar de estudo, a menos que esta disponha de ambiente isolado para grupos. Pode ser que um local apropriado localizado no próprio ambiente de trabalho ou de estudo propicie mais facilidades de consultas a um especialista ou a um professor respectivamente. Seria interessante que em todos os estabelecimentos de ensino houvesse locais próprios para que os alunos se reunissem para estudar e contassem com orientadores pedagógicos e professores que os ajudassem. As mesmas facilidades poderiam ocorrer no âmbito do trabalho profissional.

Frequência de encontros. É preciso contar com um cronograma bem organizado. Estimula-se habitualmente a manutenção de uma reunião por semana como programação ideal. A data dos encontros deve ser acordada com todos. Formar um grupo coeso e constante demanda muito tempo. Além disso, fazer um grupo de estudos para resolver situações esporádicas, como em casos de maratona de provas, pode resultar em incompatibilidade e inconstância entre os membros.

Tamanho do grupo. O estudo em conjunto estimula as pessoas a lidar com valores humanos e respeitar o espaço do próximo e propicia treinamento para o trabalho em grupo, fato importante para o bom desempenho no ambiente de trabalho (Canal vestibular). Convém saber que grupos com mais de cinco participantes exigem elaborações de funcionamento mais complexas para seu efetivo controle e concentração.

Tempo de reunião. Importa acertar previamente o tempo de duração dos estudos. Em geral, reuniões com mais de três horas estimulam dispersões (EPTV.COM). Conversas à parte, telefonemas, saídas ao banheiro e para outras finalidades, sono incontrolável e outras reações são resultados, não raro, de tempo espichado apesar da importância do tema ou da excelência em que é apresentado.

Seleção de membros. Nem sempre um bom colega ou um velho amigo pode se contar num grupo de estudos. Este deve ser formado com pessoas disciplinadas e compenetradas em matéria de estudos. Um membro desinteressado ou pouco organizado pode deitar a perder os estudos programados (EPTV.COM).

Distribuição de tarefas. Em muitos casos de grupos de estudos, pode ser muito proveitoso determinar funções especiais a cada um dos membros, como coordenador, secretário, tesoureiro, relator ou redator, consultor em áreas especializadas e outros casos. Um coordenador pode ser útil para manter a reunião focada no tema em estudo.

Material de estudo. Dispor de livros, cadernos, blocos de nota, computador com internete é muito útil para anotar ou desfazer dúvidas em pesquisas. Telefones são também usados para esse mister. Tornou-se comum dispor de computadores portáteis em reuniões de estudos.

Ordem de falas. Em grupos de estudos, convém determinar a ordem das falas ou de leituras para evitar que se fale ao mesmo tempo. Essa organização permite que todos se expressem ou leiam as partes interessantes ao estudo. Podem-se reservar textos distribuídos para leitura entre os participantes, e sua ordem pode ser previamente determinada por um coordenador.

Grupos virtuais. Podem ser formados grupos de estudos cujos membros se encontram em locais distantes um do outro. Os recursos da internete têm sido amplamente usados na formação de grupos dessa natureza. Estes são frequentemente compostos de centenas de componentes, não raramente espalhados por todo o globo terrestre. Têm sido formas muito eficientes de estudos, que contam com a facilidade de arquivamento de textos, artigos, fotografias, vídeos e similares.

Palestras. Em certas reuniões, pode ser proveitoso que um ou mais dos membros de estudo faça uma palestra sobre o tema em estudo com uso de datashow e outras formas de apresentações.

Evitar. Discussões que levem a agressividade. Em caso de dúvidas, anotar e procurar esclarecimentos de outras fontes, cujas respostas serão apresentadas na próxima reunião. A presença de especialistas e autoridades é bem-vida, pois quando as dúvidas forem grandes e as proposições forem questionáveis tais pessoas poderão estabelecer conclusões de valor. Importa evitar desvios do tema, discursos prolongados, dados inverídicos, atitudes dominadoras, comentários inoportunos sobre outro ou outros membros.

Considerações finais. Este texto se refere unicamente a grupos que se reúnem para efetivação e aplicação de estudos. Outras formas de grupos do âmbito administrativo, executivo e similares apresentam natureza diferente dos grupos de estudos, pois nestes as finalidades são adquirir e aplicar conhecimentos. Não se refere a planejamentos e realização de atividades laborais de cunho profissional, em que atuam as disposições legais e jurídicas pertinentes.

Referências

Wendel, Fernanda. Estudar: qual é o segredo? São Paulo: Ática, 2008. p. 75

EPTV.COM. Confira dicas para tirar o maior proveito do estudo em grupo. http://eptv.globo.com/educacao/educacao_interna.aspx?271768, consulta em 5 nov 2010.
Canal Vestibular. Dicas: estudo em grupo. http://www.vestibular.brasilescola.com/dicas/estudo-grupo.htm, consulta em 6 nov 2010.
Neiva, Rogério. Vale a pena estudar em grupo? http://blog.tuctor.com/duvida-do-candidato/como-passar-concursos-publicos-exame-oab-91, consulta em 6 nov 2010.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Meus Trabalhos - 1

TROMBOSE DE SEIO DURAL E ANEMIA FALCIFORME: RELATO DE CASO.
Autores: Maria, Paula Ramona Silva 1; Masini, Marcos2; Madureira, João Flávio Gurjão3
Orientador: Prof. Dr. Marcos Masini
1 – Acadêmica de medicina. FACIPLAC.
2- Prof. Doutor Neurocirurgia da FACIPLAC. Presidente da Federação Latino Americana de Sociedades de Neurocirurgia (FLANC).
3- Neurocirurgião. Membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Trombose de seio venoso dural é uma condição neurológica infreqüente caracterizada por um amplo espectro de manifestações clínicas na dependência da localização, extensão e velocidade de progressão da trombose. Os autores relatam caso clínico de uma jovem do sexo feminino, 28 anos, portadora de anemia falciforme, internada devido a cefaléia progressiva e de difícil controle há duas semanas da admissão. Investigação por imagem evidenciou tratar-se de trombose do seio transverso direito. Apresentou boa evolução clínica com melhora da sintomatologia após tratamento adequado. A trombose dural geralmente é uma manifestação secundária de outra anormalidade que deve ser identificada e tratada. Fatores de risco estabelecidos são neoplasias, traumatismos cranianos ou infecções no SNC, uso de contraceptivos orais, gravidez, puerpério, e trombofilias. Os autores salientam a importância do diagnóstico correto e oportuno das tromboses venosas cerebrais, mormente nos pacientes com manifestações clínicas neurológicas e com fatores de risco para trombose venosa.

Bibliografia:
1- COUTINHO, Jonathan M. et al. Cerebral Venous and Sinus Thrombosis Women. Stroke 2009; 40,2356-2361. ISSN 1524-4628.
2- FALAVIGNA, Asdrubal et al. Trombose do Seio Dural – Relato de Caso. Arq Neuropsiquiatr. 2006, vol.64, n. 2-A, pp. 334-337.
3- STAM, Jan. Thrombosis of the Cerebral Veins and Sinuses. N Eng J Med 2005; 352: 1791-1798.
4- DAMAK, Mariem et al. Isolated Lateral Sinus Thrombosis: A Series of 62 patients. Stroke 2009; 40: 476-481. ISSN 1524-4628.
5- MARTINELLI, Ida et al. Long- Term Evaluation of the Risk of Recurrence After Cerebral Sinus-Venous Thombosis. Circulation 2010; 121: 2740-2746. ISSN 1524-4539.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

USO DO "SOS"

Assunto: Uso de SOS

SOS – S.O.S. Dipirona 2ml IV SOS até 6/6 h. Retorno SOS. Ocorre o uso
regional dessa sigla, em prescrições e anotações médicas. Não é, entretanto,
adequado seu uso nesse sentido, mormente em documentos científicos formais,
em lugar de se necessário ou a critério médico.

Há entidades médicas que usam SOS em suas designações, como Programa SOS
Down, do Hospital Infantil Darcy Vargas, Pronto Socorro SOS e outros. O
código foi criado, em 1906, e adotado em 1908 em uma convenção international
de radiotelegrafia, para uso em situações de riscos inicialmente no âmbito
de navegação marítima e depois também aérea ou de uso militar, emitido em
código Morse (três pontos [três toques rápidos], três traços [três toques
espaçados], três pontos), como sinal internacional de perigo,
arbitrariamente escolhidos por serem de fácil transmissão (Chambers, Dic.
etim., 2000).

Erroneamente, diz-se significar “save our souls”, “save our ship” ou “send
out succour”, mas não é uma sigla (Chambers, ob. cit.); portanto, é
irregular escrever S.O.S. porquanto, em código Morse, o ponto é expressivo e
isso exigiria mais três sistemas de toques correspondentes aos pontos além
dos que representam SOS. Por extensão, atualmente significa qualquer sinal
de perigo (dispositivos luminosos, disparos, sons). Seu uso em prescrições
médicas para ministrar medicações SOS é errôneo por possibilitar que a
indicação seja feita pelo paciente, pelo acompanhante, pela mãe, ou por
profissionais não médicos. Além disso, nesse sentido, não é utilizado
nacionalmente, o que configura regionalismo.

Respeitáveis cultores do estilo de redação científica enfatizam a utilização
das unidades lexicais em seu sentido exato e o mais amplamente conhecido.
Atualmente é o sistema GPS por satélite o usado internacionalmente para
solicitação de socorros.

Prescrever medicamentos para serem ministrados “SOS” ou “se necessário” é
censurável. O critério de uso não poderia ser feito pelo paciente
(automedicação), pelos acompanhantes ou pela enfermagem, em relação a
analgésicos, anti-inflamatórios, psicofármacos, antieméticos e outros
medicamentos, e alguns com administrações fixas de doses e horários.

Medicações feitas nesse regime possibilita o diagnóstico de sintomas e
sinais ser feito por pessoal não médico, até mesmo pelo próprio paciente ou
seu acompanhante. Em análise rigorosa, equivale a medicar o enfermo sem
exame médico. Tais sintomas ou sinais podem acompanhar-se de outros males
que precisam ser também diagnosticados e tratados. A desidratação em
recém-nascidos pode causar febre, tratável pela “dipirona SOS”, que não
trataria a desidratação. Movimentos por inquietação podem ser tomados por
convulsão e, assim, seriam “tratados” com anticonvulsivo SOS. Mal-estar de
origem metabólica em criança pode motivar choro e ser confundido com dor, e
o paciente pode vir a ser medicado inadequadamente com “dipirona SOS”.
Também, “Plasil SOS” assinala, estranhamente, que o paciente será medicado
sempre depois que os vômitos já ocorreram e estes poderão estar de volta
quando o efeito medicamentoso cessar. Isso poderá ser evitado se o
medicamento for aplicado a cada 8 horas. “Isordil SOS” pode ser administrado
erroneamente em caso de enfarto agudo do miocárdio como complicação em casos
internados por angina do peito.

Em lugar de SOS ou “se necessário”, é regular escrever “a critério médico”
ou especificar o critério de uso. Por exemplo, “dipirona 40 gotas. por via
oral, se a temperatura axilar for acima de 37ºC, em intervalos mínimos de 6
horas.

Simônides Bacelar
Médico, Hosp Univ. de Brasília - UnB